A Real Maternidade

20 de novembro de 2013   Por:    Maternidade, Ser Mãe, Vida Real   0 Comentários

Já ouvi muito falarem na tal depressão pós parto, e quando fiquei grávida morria de medo que isso poderia vir acontecer comigo. Bom, não tive todos os sintomas, porém alguns foram inevitáveis na minha recuperação, mas a vontade de “Ser” mãe falou mais alto.

Quando cheguei em casa com duas bebês, parecia que algo estava fora do lugar. Saímos de casa pela manhã eramos dois,um dia depois nos multiplicamos. Tive uma sensação de não saber o que fazer, apesar de ter sonhado, planejado e esperado tanto tempo com esse momento, tudo parecia surreal.

Não sabia o que estava por vir, e quais as sensações e dificuldades que teria que superar.

Dizem que a primeira semana para os  pais é um teste de prova aos dois. No meu caso parecia que era mais “ao infinito e além”.  Passei pela “síndrome da mulher maravilha”, carreguei o mundo em minhas costas.

Motivo para ser feliz

O controle da casa, dos bebês, marido, família tinha que estar sob o meu comando. Foi aí que as coisas começaram a ficar confusas e os sintomas mais estranhos apareceram, cansaço, angustia, irritação e o pior achar que a causa de todos os problemas fosse das minhas filhas. Tudo me irritava, um copo fora de lugar era motivo para a terceira guerra mundial. Meu marido, coitado, tentava de todas as formas ajudar, não posso reclamar da sua total dedicação, ao apoio, e sempre por estar ao meu lado, mesmo tendo me tornado (mesmo que temporariamente) uma pessoa cheio de sintomas negativos, chata, reclamona e mandona.

A chegada de um filho transforma a relação do casal, as atenções da mãe se viram para o bebê e o pai mesmo que sem querer fica em segundo plano em nossa vida. O Geison passou a ter as meninas e eu como o centro de suas atenções e no fundo ele sabia que juntos seriamos mais fortes e conseguiríamos superar essa fase tão louca de nossas vidas.

Tive privações de sono durante 20 dias, e isso abalou o meu estado emocional, cheguei a pensar que não havia nascido para ser mãe, não conseguia entender o que “elas” queriam de mim, chorava por horas e não sabia o que fazer. Comecei a me sentir incapaz, não tinha mais o controle da minha vida, tudo o que imaginei e li sobre o lado mágico da maternidade era mentira. Isso é um problema, as pessoas tendem a enfatizar o lado bom da maternidade, e acabamos sendo surpreendidas com obstáculos que nem sequer passava pelas nossas cabeças. Uma coisa é certa, por mais que você leia sobre o assunto, se mantenha informada, nada no mundo te prepara para ser mãe. O aprendizado vem com a prática, com as novas experiências do dia a dia. A maternidade é uma caixinha de surpresa a cada dia uma nova descoberta e uma nova superação.

Minha primeira semana como mãe foi de adaptação aos novos seres que chegaram em minha vida. E o espírito de Mãe Leoa baixou em mim. Cuidar, amamentar, dar banho, passar noites em claro tudo isso era minha função e não pretendia designar tais tarefas a ninguém. Ao passar dos dias a tristeza e angustia tomaram conta, não compreendia o que aqueles dois serzinhos que não paravam de chorar precisavam, apesar de todo o meu amaro e atenção. Comecei a ficar irritada com as mínimas coisas do dia a dia. Até o pobre do meu marido que sempre prestativo para me ajudar me irritava. Minha audição ficou tão aguçada que ao ouvir o tom de voz de determinadas pessoas me deixava com os nervos a flor da pele. Entre um ataque de nervos e outro, chorava por não conseguir ir ao salão para arrumar meu cabelo, por não conseguir fazer coisas banais como passar hidratante, fazer as unhas, ou até escovar os dentes,tomar um banho demorado, assistir a um filme, comer o que quiser e sem pressa e ter uma boa noite de sono. Comecei a culpar as minhas filhas por tirarem o meu tempo de mim (meu Deus como isso pode passar pela minha cabeça). Ninguém me contou que minha vida ficaria de cabeça para baixo, pelo contrário sempre via fotos de mães maquiadas e felizes com seus bebês rechonchudos. Ah!!! Eu também quero ser feliz assim.

Ao mesmo tempo que pensava que poderia esta a beira de uma depressão, eu olhava pra carinha das minhas filhas dormindo, e pensava que não tinha tempo para tal sentimento,  sou mãe e elas precisam de mim.

Motivo para ser Feliz MY 1-vert

Comecei a ver o lado bom das coisas. Minhas filhas precisavam que eu fosse uma boa mãe. Decidi que elas teriam total prioridade em minha vida, cabelo, unha, quilos extras, tudo isso ficou em segundo plano, afinal não sou nenhuma famosa para exigir tanto da minha boa forma nesse exato momento. Minha vaidade como mulher deu lugar ao lado Materno. Sabia que essa fase não seria para sempre, e decidi curtir cada momento com as meninas até os mais difíceis. Registrei inúmeras fotos amamentando, desmaiada no sofá com elas no colo. Brincava sempre que depois que virei mãe o meu look diário é despojada e descabelada rs*. Era assim que acordava todos os dias. Não queria que as longas noites sem dormir, as cólicas intermináveis, os choros, as infinitas trocas de fraldas, a recuperação do parto, a falta de paciência fosse as minhas lembranças desse momento único em minha vida. Ao contrário disso, admiti que precisava de ajuda, e que delegar tarefas não seria ruim e não me sentira culpada por não conseguir cumprir toda a jornada que um bebê (no meu caso dois) depende. Minha mãe começou a dividir as noites, quando era o meu dia de descanso aproveitava para tomar um longo banho e relaxar. Esse era o meu momento. As tarefas de casa passaram a ser dividas. Nos finais de semana o passeio tornou-se obrigatório. A cada mês comemorava o aniversário das meninas, assim era um motivo para renovar os meus votos de dedicação e amor as minhas filhas.

Depois de um tempo tudo entrou na normalidade e uma nova rotina foi imposta. Dessa forma, aproveitava o soninho das meninas para poder cuidar de mim, além do que você só virou mãe, não deixou de ser mulher.

A maternidade não é aquelas fotos bonitas que você vê no Facebook ou Instagram da vida. A maternidade é sim mães que passam de pijama o dia todo, sem tempo de escovar os dentes, descabelada, de tão cansada esquecem que não tomou banho, passam a pesquisar sobre cocos, acordam de três em três horas para amamentar, esquece como é dormir uma noite inteira, não sabe mais o significado da palavra degustar mas sim devorar a comida na hora do almoço, trocam suas bolsas fashion por uma rosa ou azul de bichinhos, troca aquela sua nécessaire cheio de make por chupetas e mamadeiras, aceita que seu corpo não será mais o mesmo, adquirem um novo penteado o rabo de cavalo, esta sempre de olho no calendário para saber qual a próxima vacina, chorar de emoção ao primeiro sorriso do seu filho, sentir um amor maior que tudo nessa vida. Esse, é o real mundo da maternidade.

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