Anestesia peridural, raquidiana e duplo bloqueio: entenda anestesias para o parto

12 de novembro de 2013   Por:    Maternidade, Ser Mãe   0 Comentários

Escolher a anestesia é uma decisão que deve ser tomada após várias conversas com seu médico. Cada mulher tem suas peculiaridades que devem ser deixadas bem claras para o ginecologista e o anestesista. Se muitas mulheres têm medo do parto normal por causa da dor, existem opções de analgesia que permitem ter o bebê sentindo (quase) nada.

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Ao contrário do que muitos pensam, não há sedação da mulher para fazer cesárea ou normal, pois o procedimento pode aumentar o risco de broncoaspiração e a alteração do nível de consciência é indesejada pelos médicos. Vale lembrar que nos casos das anestesias peridural, raquidiana e duplo bloqueio, o bebê não corre nenhum risco de ter contato com as substâncias químicas.

Não há nenhum risco para o bebê. Pelo contrário, é muito seguro. Antigamente, quando a anestesia era administrada por via venosa ou inalatória havia um risco da substância passar através da placenta e chegar ao bebê”, diz Márcio Coslovsky, diretor-médico da Primordia Medicina Reprodutiva. Confira abaixo um dossiê com quatro matérias que explicam tudo sobre as anestesias peridural, raquidiana, duplo bloqueio e geral, local e loco regional:

Anestesia Peridural: saiba tudo sobre a medicação na hora do parto

 

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Junto com a raquidiana, a anestesia peridural é indicada nos casos de parto normal e também na cesariana. No entanto, acontece com mais incidência durante o parto normal. Isso porque a medicação da peridural tira a dor das contrações, mas a gestante consegue manter seus movimentos, o que ajuda na hora do parto. Ou seja, a peridural deixa a mulher insensível à dor do peito para baixo, mas permite que ela continue completamente consciente, eliminando a temida dor do trabalho de parto. Para entender melhor sobre esse tipo de anestesia, conversamos com ginecologistas e obstetras que vão explicar tudo sobre a anestesia peridural. Veja abaixo:

Como é a aplicação da peridural? Dói? Qual é o tamanho e espessura da agulha?

Não se preocupe, antes de introduzir a agulha entre as vértebras, o anestesista aplica uma anestesia local na pele para diminuir o desconforto da punção. “Realiza-se uma punção lombar, com a gestante sentada ou deitada de lado. A agulha é inserida na região lombar e, através de um catéter, o anestésico é administrado de forma contínua, ou espaçada, em pequenas doses, conforme necessidade“, explica a ginecologista e obstetra Erica Mantelli. A médica Flavia Lopes, anestesista do Hospital Salt Lake, completa: “A agulha mede cerca de 10cm, e tem a largura de aproximadamente um grafite 0,9″.
Qual é a diferença da peridural para a raquidiana?
Como há introdução de um catéter na mulher durante a anestesia peridural, com essa modalidade o médico consegue controlar a quantidade da substância que é injetada na mulher. A diferença é que na raquidiana ocorre uma dose única, enquanto na peridural o médico controla a dosagem de acordo com a necessidade da mulher ao longo do parto. “A quantidade de anestésico usada na peridural é muito maior do que na raquidiana, pois aquela é uma anestesia mais superficial”, afirma Erica Mantelli.
Peridural é mais indicada para o parto normal ou cesariana?
A peridural é a mais indicada para parto normal, pois com a passagem de catéter e com as baixas doses de anestésico a paciente continua tendo as contrações, mas permanece sem dor. Ela pode durar o tempo que for necessário, desde minutos até muitas horas de analgesia”, diz a anestesista do Hospital Salt Lake Flavia Lopes. Além disso, com falta de sensibilidade nas pernas e a mulher consciente, o médico orienta a gestante durante o parto normal na hora de empurrar o bebê para baixo.

Tanto a peridural como o duplo bloqueio são as anestesias mais indicadas para o parto normal por oferecer conforto e segurança para a mãe e o bebê durante o trabalho de parto. Diversos trabalhos científicos demonstram que a analgesia de parto, quando corretamente indicada pela equipe médica de obstetra e anestesiologista, só traz benefícios tanto para a mãe quanto para o bebê. No entanto, quando combinada com a raquidiana, ou seja, a anestesia de duplo bloqueio, também é usada no parto cesariano”, reforça Ricardo Goldstein, anestesiologista do Hospital Albert Einstein.

Quais são os efeitos colaterais da anestesia peridural?
Após a administração da anestesia peridural, pode ocorrer queda da pressão arterial, náuseas e tremor. “Contudo, esses efeitos colaterais são rápidos e variam de acordo com o organismo e histórico genético de cada mulher”, afirma o ginecologista e obstetra Márcio Coslovsky, diretor-médico da Primordia Medicina Reprodutiva.

De acordo com a médica Érica Mantelli, dores de cabeça e nas costas também são relatados entre as pacientes após o parto. “Podem ocorrer cefaleia em cerca de 1% dos casos. Outras complicações ocorrem se a dose administrada do anestésico for muito alta, podendo levar a náuseas, tontura, dormência na língua, gosto metálico na boca, falta de ar, queda da pressão e zumbidos”, explica.

Em casos esporádicos, as dores nas costas demoram a passar: “A dor na coluna pode ocorrer em alguns casos e durar algumas horas. Em casos mais raros, até algumas semanas. Isso ocorre devido à ruptura de uma fibra nervosa ou hematoma no local da punção, levando à dor lombar ou dormência“, justifica Érica.

Quais são as desvantagens da peridural?
A anestesia peridural tem efeito analgésico e pode causar o bloqueio muscular. De acordo com Flavia Lopes, a duração depende do tipo e do volume de anestésico local ministrado no parto. “As dores costumam acontecer porque, quando anestesiada, a paciente deita-se numa posição e fica por algumas horas naquela posição não habitual. Não costuma acontecer dores por causa da anestesia, mas é possível, apesar de improvável“, explica ela.

Anestesia raquidiana: tire suas dúvidas para o parto

 

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Mais indicada para a gestante nos partos cesarianos, a anestesia raquidiana, como diz o nome, é feita no espaço raquidiano, ou seja, onde circula o líquido cefalorraquidiano. É por meio desse fluído, ou líquor, que ocorre transporte de substâncias, além dele ser responsável por amortecer a medula espinhal e o córtex cerebral. A injeção é única e certeira, causando o bloqueio motor imediato, mas mantendo a mãe consciente. Entenda mais sobre a anestesia raquidiana com o tira-dúvidas respondido por anestesistas e obstetras abaixo:
Dói? Qual é o tamanho e espessura da agulha? Entenda como é a aplicação da raquidiana
De acordo com a anestesista do Hospital Salt Lake, de São Paulo, Flavia Lopes, a anestesia raquidiana, mais conhecida como raqui, é feita mais profundamente na coluna lombar, com uma agulha que mede cerca de 12cm e tem a largura de um fio de cabelo. “A agulha é introduzida até o espaço subdural aonde está o liquor”, afirma. Renato Sá, coordenador do serviço de obstetrícia do Hospital Icaraí, no Rio de Janeiro, explica que a aplicação não dói: “Antes da introdução da agulha é feita uma anestesia local para que o processo seja praticamente indolor.”.
Entenda por que a raquidiana é a mais indicada na cesariana
Com efeito imediato, a anestesia raquidiana tem a agulha inserida mais profundamente na região lombar e o anestésico é injetado uma única vez. Com cerca de 3 horas de duração, a raquidiana age o tempo necessário para o médico realizar a cesariana.

“A gestante perde a sensibilidade e os movimentos dos membros inferiores. Sua ação é imediata e a gestante permanece consciente e acordada“, diz a obstetra e ginecologista Erica Mantelli. Segundo ela, o volume anestésico usado na peridural pode chegar a 30ml, enquanto na raquidiana, não passa de 2 a 4ml. “Existea aplicação de um volume muito menor que na peridural, pois a raquidiana é uma anestesia mais profunda”, finaliza.

Em que momentos a raquidiana é usada no parto normal?
De acordo com os especialistas, o uso da raquidiana ocorre quando a gestante já chega ao hospital em trabalho de parto avançado e com bastante dilatação. É nessas horas que a mulher precisa de uma anestesia única e com ação imediata. “Para o parto normal, a raqui pode ser utilizada em doses menores e na fase final do trabalho de parto”, justifica a anestesia Flavia Lopes.
Quais são os efeitos colaterais da anestesia raquidiana?
Após a punção lombar na raquidiana, em alguns casos pode ocorrer queda da pressão do líquor, levando ao aumento da pressão intracraniana e dor de cabeça. “Essa dor melhora ao ficar deitado e piora quando se fica em pé ou sentado. O tratamento consiste no repouso, hidratação e uso de analgésicos”, explica Erica Mantelli.

De acordo com Renato Sá, as dores de cabeça não são mais tão comuns hoje em dia como era na última década. “As agulhas de raqui usadas atualmente são muito finas e praticamente não causam mais dor de cabeça”, diz.

Há casos ainda de dificuldades na respiração. “A dificuldade de respirar pode acontecer. São duas as opções: a paciente relata a dificuldade de respirar, mas é apenas uma sensação. Ou ela efetivamente apresenta dificuldade respiratória, que poderia ser evitada infundindo um volume menor de anestésico. Essa complicação pode ser facilmente remediada”, explica a anestesista do Hospital Salt Lake Flavia Lopes.

Duplo bloqueio: entenda o que é a anestesia combinada

 

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Quando a anestesia peridural é administrada juntamente com a raquidiana, os médicos estão ministrando na gestante a anestesia conhecida como duplo bloqueio ou anestesia combinada. “A raquidiana é uma anestesia de efeito imediato, aliviando a dor instantaneamente. Já a peridural garante a durabilidade da anestesia. Na combinação delas, a gestante recebe apenas uma punção lombar e uma agulha é inserida dentro da outra para fazer a anestesia combinada“, explica a obstetra e ginecologista Erica Mandelli. Saiba mais sobre a anestesia de duplo bloqueio abaixo:
Por que a anestesia de duplo bloqueio é mais indicada para o parto normal?
É indicada em casos de parto normal porque o objetivo é manter o trabalho de parto até o período expulsivo do bebê, sem dor para a paciente, aguardando a evolução natural do parto“, afirma Flavia Lopes. No entanto, o procedimento não pode ser realizado em todas as mulheres, como explica Ricardo Boari Coelho. “Em pacientes com alterações no sistema de coagulação ou com cardiopatias mais graves o procedimento é contraindicado. Seu anestesiologista perguntará e pesquisará essas contraindicações”.

A anestesia de duplo bloqueio também pode ser feita durante a cesariana. “Existe a possibilidade de utilizar o catéter para realizar a anestesia para cesariana, se for necessário. Caso seja indicado o parto cesariana, no decorrer do trabalho de parto, não é necessário realizar uma nova punção”, justifica o anestesiologista da clínica Dra. Flávia Fairbanks Ricardo Boari Coelho.

Como é a aplicação da anestesia combinada?
Após a anestesia local na região lombar, o anestesiologista realiza a punção no espaço peridural, da mesma maneira que a anestesia peridural é aplicada. “Através dessa mesma agulha, ele introduz uma agulha mais fina e realiza a punção subaracnoidea, popularmente conhecida como raquianestesia, e injeta o anestésico. O médico então retira a agulha de raqui e, através da mesma agulha de peridural, posiciona um cateter peridural, que ficará até o término do parto. Dessa forma, após a anestesia local, a paciente só recebe uma punção e todo o procedimento é feito através dessa mesma agulha”, explica Ricardo Boari Coelho,  anestesiologista da Clínica Dra. Flávia Fairbanks.
Como a anestesia de duplo bloqueio age no corpo da mulher?
A vantagem é a rapidez e potência da raqui e a flexibilidade da peridural, já que através do catéter peridural podem ser injetadas, em qualquer momento do parto, doses adicionais de anestésico e em concentrações diversas. “Essas doses podem aliviar a dor do parto normal nas suas diversas fases, mantendo a movimentação e sensibilidade das pernas. Como a concentração do anestésico é baixa, por ser anestésico diluído, durante a analgesia do parto normal a gestante mantém a força e sensibilidade, podendo caminhar, fazer força e exercícios que facilitam o parto”, explica Ricardo Boari Coelho.

Entre as desvantagens, estão os efeitos colaterais. “Pode ocasionar vômitos, náuseas e, em casos mais raros, cefaleia e dor lombar“, finaliza Erica Mantelli.

Anestesia geral no parto: entenda os riscos

 

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Além das anestesias peridural, raquidiana e de duplo bloqueio, existem outros três tipos de anestesias que podem ser usadas no parto: a local, a loco regional e a geral. A anestesia geral só aparece como opção nos casos de emergência, quando há riscos sérios para a mãe ou o bebê. Entenda abaixo quando essas anestesias podem ser usadas:
Quando o médico opta pela anestesia geral no parto?
Hoje em dia, os partos com anestesia geral são raros e feitos apenas em casos extremos. Há mulheres que fizeram cirurgia na coluna, por exemplo, e não têm espaço para passagem da agulha para administração da peridural ou raquidiana. Nestes casos a anestesia geral é indicada e o risco maior é porque a medicação é intravenosa, como explica Márcio Coslovsky, diretor-médico da Primordia Medicina Reprodutiva.

O parto deve ser realizado com rapidez para evitar o contato do bebê com a substância. Mas, como ela só é indicada em casos extremos, como emergências, a equipe já está preparada para ter essa agilidade“, afirma Márcio. “É necessário intubação orotraqueal da paciente, que irá respirar através de auxílio do respirador. Ocorre perda da consciência e da sensibilidade“, reforça Erica Mantelli.

Para a criança, existem riscos de depressão respiratória e até parada cardiorrespiratória. “A anestesia geral é a única opção quando a vida da mãe está em risco, como em casos de eclampsia, quando há contraindicação para os bloqueios regionais, ou ainda quando o bebê está sob risco imediato de vida. É considerada a forma mais rápida de executar a cesárea”, orienta a anestesista do Hospital Salt Lake, de São Paulo, Flavia Lopes.

Anestesia local e loco regional no parto: entenda
Tanto a anestesia local, como a loco regional, são utilizadas exclusivamente no parto normal. “Na local, é feita uma anestesia no nervo responsável pela sensibilidade do períneo, vagina e vulva. Após essa anestesia local é possível fazer um pequeno corte, a episiotomia, que facilita a passagem  do bebê pela vagina“, orienta Erica Mantelli.

Ambas agem através da xilocaína ou lidocaína. “A diferença entre as duas é basicamente onde são injetadas. A loco regional, ao invés de ser aplicada no local do corte, é aplicada na raiz do membro, anestesiando a região, não apenas um local específico“, finaliza o diretor-médico da Primordia Medicina Reprodutiva Márcio Coslovsky.

Fotos: benefitsofglutathione.com
slcprenatalmassage.com
kekobaby
herscoop.com
beyondpesticides.org
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